Opinião: Tarik

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Convocados: FCP x Naval

O FC Porto já divulgou a lista de convocados para o jogo de amanhã, frente à Naval.

Registam-se várias alterações, provavelmente fruto da má exibição do FCP na Madeira e claro do regresso do Quaresma e Tarik.

Sendo assim, eis a lista de convocados:

Guarda-redes: Helton e Nuno;
Defesas: Bosingwa, Bruno Alves, Lino, Cech, João Paulo, Pedro Emanuel
Médios: Kazmierczak, Lucho González, Raul Meireles, Paulo Assunção, Mariano.
Avançado: Adriano, Lisandro, Quaresma, Farias e Tarik Sektioui.

Daqui resulta que, Hélder Postiga, Leandro Lima, Bolatti e Fucile saem da equipa e regressam Quaresma, Tarik e Farias.

O jogo é amanhã (domingo), no Dragão, às 20h15. Um jogo a contar para a última jornada da primeira volta da BWIN Liga, onde o Porto lidera com 7 pontos de vantagem sobre o segundo classificado.



Declarações do treinador, Jesualdo Ferreira, sobre o jogo que se aproxima:

Antes das férias, disse que essa pausa seria importante para recuperar os jogadores psicologicamente. Regressados ao trabalho, pergunto-lhe se o período de descanso surtiu o efeito que desejava?
Nós só sabemos as consequências quando as coisas acontecem e, no futebol, o que faz operacionalizar as nossas ideias são os jogos. Em termos de trabalho, posso dizer que está tudo ligado àquilo que são os nossos objectivos mais próximos e estou seguro de que o que projectei para estes dias de pausa foi conseguido. Os jogadores regressaram bem, com os parâmetros físicos desejados, e o trabalho tem sido positivo. Estamos prontos para recomeçar o campeonato, sabendo que vamos fazê-lo contra uma equipa difícil, que tem feito uma boa recuperação na prova e que, apesar de os seus últimos dois jogos não terem corrido tão bem, vai certamente visitar o Dragão muito motivada e com a perspectiva de poder dificultar o jogo do F.C. Porto. Da nossa parte, queremos tornar este jogo fácil, actuando de acordo com a matriz de muitos jogos que fizemos até agora, e obviamente ganhá-lo.

Tem-se falado muito daquele que foi um período menos bom do F.C. Porto em Janeiro de 2007. Há margem para alguma comparação no que diz respeito a 2008?
Nunca há dois momentos nem dois quadros iguais. O que aconteceu no ano passado já lá vai, mas recordo que nem por isso o F.C. Porto deixou de ser Campeão Nacional. É importante lembrar que há diferenças – no ano anterior, por esta altura, por exemplo, tínhamos menos dois pontos de vantagem sobre o segundo classificado do que temos agora e, como tal, não acredito que o que aconteceu na temporada transacta se vá repetir. No futebol, pode haver, em alguns momentos, cenários parecidos, mas nunca iguais.

Tendo em conta o elevado número de jogos que o F.C. Porto ainda tem pela frente até ao final da época, concorda que poderá sentir, nesta segunda metade do campeonato, uma maior necessidade de lançar na equipa titular jogadores que vieram esta temporada para o clube?
É sempre complicado projectar o nosso trabalho num espaço de tempo tão avançado, mas mantenho a mesma filosofia com que iniciámos a temporada. Saímos com uma estrutura que é a melhor e, por isso, se mantém, e temos procurado integrar no seu devido tempo os novos jogadores, esperando que se torne cada vez mais fácil para eles interiorizar as nossas ideias e operacionalizá-las em campo. O rendimento e as vitórias são os factores que qualificam uma equipa e a boa época que o F.C. Porto tem realizado – desde já ter garantido a passagem aos oitavos-de-final da UEFA Champions League até ter vindo a provar, inequivocamente, que é a melhor equipa da campeonato –, é precisamente um atestado de qualidade desta estrutura que utilizamos. Sempre afirmei que não era fácil jogar no F.C. Porto e penso que todos os jogadores já se aperceberam dessa realidade. A prova disso é que, tanto os que jogam regularmente como os que jogam menos, continuam a trabalhar e a lutar todos os dias por um lugar na equipa. O mesmo raciocínio se aplica no que diz respeito à chamada «janela de mercado de Inverno». A estratégia do F.C. Porto é manter ao máximo a sua estrutura e não faz sentido ir buscar jogadores que não possam discutir palmo a palmo um lugar na equipa.

Qual será o impacto de estar um mês sem Tarik Sektioui?
O Tarik é um jogador importante, que tem feito um bom início de época, mas não vamos ficar a chorar por ele. Vamos jogar com as mesmas ambições e com os mesmos objectivos que temos hoje.

Nuno Gomes, avançado do Benfica, disse que, se Lisandro tivesse ido para o Benfica, teria sido dispensado. Concorda com esta afirmação?
Ele está no Benfica, portanto há que dar crédito às suas palavras, mas não me cabe a mim comentar essa afirmação.

Mas o que há de diferente, em relação aos outros clubes, na integração dos jogadores no F.C. Porto?
Não me compete a mim (nem quero) falar dos outros clubes. Em relação ao F.C. Porto, sabemos a forma como trabalhamos e a grande questão que se coloca para nós é avaliar os jogadores e depois procurar potencializar as suas capacidades, sabendo que isso leva o seu tempo e que envolve muitas pessoas e muitas ideias.



Pedro Silva, jogador do Sporting, disse que os jogadores do F.C. Porto têm falado muito no título e aconselhou-os a jogarem mais e falarem menos. Que comentário lhe merece esta observação?
Nunca ouvi os jogadores do F.C. Porto falarem no título. O que disseram foi que se sentiam bem pela vantagem conquistada até ao momento no campeonato, por traduzir o reconhecimento do trabalho que têm vindo a desenvolver.


O F.C. Porto teve algum peso no lançamento da Liga Intercalar. Que ilações tem tirado dos jogos realizados?
Boas. Eu sempre disse que a Liga Intercalar é um espaço em que os jogadores de vários escalões do F.C. Porto têm oportunidade de jogar. O objectivo primordial da prova é os atletas poderem usufruir de um espaço competitivo interessante no seu desenvolvimento semanal e penso que isso tem sido conseguido, sobretudo se olharmos para a evolução, sob o ponto de vista de compreensão do jogo, que os juniores têm revelado.

E essas questões importam-lhe mais do que os resultados?
É claro que ninguém joga para perder, mas, na globalidade, penso que a Liga Intercalar deve ser encarada como um espaço, acima de tudo, para melhorar rendimentos. É importante perceber que não estamos a falar de uma equipa que treina especificamente para a Liga Intercalar. Há um conjunto de condicionantes que obedecem àquilo que nós pretendemos para aquele momento de competição e não para aquele jogo.

Por aquilo que tem visto, acredita que Rui Pedro e Castro, dois jogadores que se têm destacado de alguma forma na competição, podem ser uma mais-valia para o F.C. Porto no futuro?
O Rui Pedro, o Castro e o Ventura são atletas que foram integrados no plantel principal do F.C. Porto obedecendo a duas ideias claras: primeiro, pelo facto de serem jogadores da formação do clube que demonstraram, enquanto juniores, boa capacidade; e depois, porque considerámos – e já perspectivando a criação da Liga Intercalar – que seria o momento óptimo para serem observados para o futuro. É natural que a Liga Intercalar seja a prova que mais os preencha, o que tem alguma lógica. É daquilo que fizerem nesta competição e nos treinos que vai seguramente sair o seu futuro.

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Manual Obrigatório



Aqui fica uma das muitas crónicas o Miguel Sousa Tavares (MST) no jornal "A Bola":


MANUAL DE CONDUTA PARA JOGADORES DO FCPORTO

Agora, que estamos naquela época do ano em que desaguam no Porto levas de novos jogadores de futebol destinados ao FCP— quase todos estrangeiros, sul-americanos e imberbes — deixo-lhes aqui alguns conselhos de comportamento que, se eu mandasse, lhes faria entregar no aeroporto:


- Livre-se de chegar ao FCP a pensar ou a dizer que já está a almejar mais altos voos (como ainda ontem vi o Leandro Lima — que nem sequer ainda chegou — a afirmar). Primeiro, porque os Chelsea, Manchester United e Barcelona não compram todos os jogadores bons do planeta, mas apenas um número restrito dos verdadeiramente excepcionais. Segundo, porque, ao chegar ao FCP, você já está num grande da Europa. É verdade que há, pelo menos, uma dúzia de clubes maiores na Europa a nível financeiro, mas não há sequer uma dúzia que lhe dê as condições e o prestígio que o FCP lhe pode dar.

- O FCP foi 19 vezes campeão de Portugal, duas vezes campeão da Europa e duas vezes campeão do Mundo. Você ainda não foi nada. É uma honra para si vestir esta camisola e estar ao serviço deste clube. Comece pois, por ser humilde, se quiser vir a ser verdadeiramente grande.

- O FCP tem mais de cem anos de história: ainda o seu avô não tinha nascido e já as cores azul e branca (homenagem à antiga e lindíssima bandeira nacional) jogavam futebol. Visite a sala de troféus, fale com os funcionários mais antigos, com velhas glórias do clube, com adeptos de várias gerações. Aprenda a história do clube para aprender a respeitá-lo.

- Como todos os clubes, também o FCP nasceu e vive graças à dedicação dos seus sócios e adeptos. Nunca confunda quem lhe assina os cheques com quem lhe paga: o seu patrão é o FC Porto e o FC Porto é dos seus sócios. É a eles, antes de mais, que você deve respeito e dedicação — a mesma que eles dão ao clube.

- Desde que foi inaugurado, o Estádio do Dragão tem a mais elevada média de assistências em Portugal. No último campeonato, a média foi de 40.000 espectadores por jogo. Não há muitos clubes no Mundo que se possam gabar disto, não há nenhum em toda a América do Sul. Isso dá-lhe bem a noção do amor ao futebol e da dedicação ao clube dos seus adeptos. E deve dar-lhe também a noção da sua responsabilidade em campo. Nunca esqueça, por exemplo, que o público que paga bilhete e se desloca ao estádio, fá-lo para assistir e vibrar com 90 minutos de futebol, e não apenas com 30, 50 ou 70: se estamos a ganhar por dois ou três a zero, isso não o dispensa nem à equipa de continuar a jogar o melhor que sabe pelo prazer do público.

- Você vai poder jogar no mais bonito estádio do Mundo, vai poder treinar num centro de treinos moderno e impecável onde nada falta, vai estagiar em hotéis de luxo, viajar em autocarro de luxo e 1.º classe de aviões fretados, vai ter técnicos, médicos, enfermeiros, pessoal de apoio ao seu serviço 24 horas por dia: nada o dispensa de não dar o máximo sempre. Devem ser raríssimas as actividades e empresas em todo o Mundo em que alguém disponha das mesmas condições de trabalho que o FCP lhe proporciona. Faça por merecer o privilégio.

- Você faz aquilo de que mais gosta e tem a sorte de poder fazer, profissionalmente, o que milhões de miúdos em todo o Mundo pagariam para poder fazer. Você é principescamente pago para jogar futebol ao serviço de um clube. Não tem desculpas para não encharcar essa camisola, nos treinos e nos jogos.

- Jamais venha com a desculpa de que está cansado porque jogou ao fim-de-semana para o campeonato e a meio da semana para a Liga dos Campeões. Esse é o sonho de qualquer jogador e, se você é bom profissional, tem obrigação de estar preparado para isso e muito mais. Mesmo que oiça essa desculpa ao próprio treinador, não alinhe nela. Os grandes jogadores das grandes equipas sabem que o contrato é claro: são anos de glória e de fortuna, em troca de sacrifícios e trabalho árduo. Para descansar, pode esperar pelos 30 anos. E, se não gosta, pode sempre escolher: há outras profissões de menor desgaste físico, em que se pode fazer noitadas, fumar e beber. Mas têm horários de trabalho de 40 ou mais horas, recebe-se cinquenta ou cem vezes menos e não há multidões a aplaudir o nosso trabalho.

- Hoje, você tem 20 anos e é milionário. Mas a vida não vai ser sempre assim. Se for inteligente, você saberá tirar partido dos seus tempos livres, em lugar de se dedicar ociosamente às três coisas que hoje parecem ocupar em exclusivo a cabeça da maioria dos jogadores de futebol: automóveis de luxo, penteados e tatuagens.

- Em vez disso, procure crescer, aprender, cultivar-se, interessar-se pelas coisas. Além do mais, quanto mais mundo e conhecimentos você adquirir, mais inteligente ficará e hoje o futebol que se joga depende muito da inteligência que os jogadores são capazes de integrar no seu jogo.

- Comece, por exemplo, por se interessar e aprender coisas sobre a cidade do Porto, onde terá de viver nos próximos anos. Descubra a história da cidade que deu nome a Portugal, descubra a sua arte, os seus costumes, os seus restaurantes, os seus monumentos, a história do vinho do Porto, a cultura da sua gente. E o mesmo em relação ao seu novo país de acolhimento. Deixe de lado o estereótipo do jogador que diz que é muito caseiro e que só faz vida treino-casa-estágio. Você tem metade dos dias livres: aproveite-os para fazer qualquer coisa de útil.

- Se realmente quer chegar ao topo, deixe as tardes de volta da Playstation, como se fosse um miúdo de doze anos, e ponha-se a aprender línguas, por exemplo: inglês, espanhol, italiano (e português, claro) vão-lhe dar muito jeito para o futuro, dentro ou fora do futebol.

- Contribua para afastar de vez aquela imagem do jogador de futebol que só sabe falar com os pés. Aprenda a exprimir-se como uma pessoa normal, aprenda a falar com a imprensa e, mesmo quando as perguntas são sempre iguais e desinteressantes, como tantas vezes são, procure dar respostas que tenham algum conteúdo e algum interesse para os adeptos. Se só sabe responder por lugares-comuns e banalidades, mais vale então ficar calado: poupa a sua imagem.

- Quando entrar em campo, pense que faz parte de uma equipa e que está ali para dar a vitória ao seu clube. Lá em cima, na bancada, nós não queremos saber se o seu carro custou 123.000 euros, como um dos três carros do Cristiano Ronaldo; não queremos saber se o seu penteado é ainda mais interessante que o do Miguel Veloso, as suas tatuagens mais sexys que as do Beckham e o seu look ainda mais in que o do Abel Xavier. Nem queremos saber se você, como dizia o Valdano, é capaz de fintar três jogadores dentro de uma cabina telefónica — se depois não dá com a saída. Quando estiver em jogo, deixe de se preocupar consigo próprio: use a inteligência a par do talento, levante a cabeça, olhe para o jogo e faça o que for melhor para a equipa, em cada momento.


Se fizer tudo isto, seja bem-vindo ao FC Porto!

Apesar de algumas vezes não concordar com as ideias deste jornalista, penso que este "manual" está brilhante e deveria, sem dúvida, ser apresentado aos jogadores que chegam ao nosso clube.

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Boa Semana


Depois dos vários problemas que afectaram o início de 2007, finalmente uma semana de agrado para os portistas.

Porquê? Bom, primeiro porque vencemos o jogo para a Liga de forma expressiva e clara, sem que alguém pudesse questionar a exibição. Um jogo que marcou o regresso de Anderson ao Dragão, depois de uma prolongada lesão, e que por sinal marcou o melhor golo da noite. Isto depois de o Quaresma ter feito mais umas quantas assistência, consolidando o lugar de Rei das Assistências na BWIN Liga.

Em segundo lugar, porque conseguimos aumentar a diferença pontual para o segundo classificado, o Benfica, que curiosamente me leva ao terceiro ponto.

Ontem, jogou-se os quartos-de-final da Taça UEFA. Nesta fase estava incluído o jogo dos mouros contra o Español de Barcelona, clube que joga de azul e branco, e que só por isso já o torna grande. No entanto jogar com aquelas cores tem desvantagens, pelo menos uma: é que os árbitros têm tendência só para verem vermelho. Não sei, talvez pela cor do cartão que têm no bolso, mas a verdade é que depois do empate arrancado com um golo irregular, ontem ficou um penalty por assinar, que certamente acabaria com as esperanças do marroquinos mesmo antes de acabar o jogo. Acabou por não fazer diferença, porque o grande Español passou às meias-finais. Agora, contabilizando os últimos jogos, em 4 os "piu-pius" de Lisboa foram beneficiados em 3, e eu não vi a primeira mão dos quartos-de-final, e pelos vistos na segunda-feira, frente ao Braga, vai ser mais do mesmo, visto que o árbitro nomeado foi o João Ferreira. Não se lembram dele? Pois eu recordo-vos, com um excerto retirado do jornal "Público" (link):

«As escutas do processo Apito Dourado revelam que Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, se envolveu directamente na escolha do árbitro do jogo das meias-finais da Taça de Portugal da época de 2003/2004 em que o Benfica ganhou ao Belenenses por 3-1. Esse jogo foi arbitrado por João Ferreira, de Setúbal, na sequência da nomeação acertada num telefonema entre Valentim Loureiro e o presidente dos encarnados. Nessa conversa, Luís Filipe Vieira começa por se queixar pelo facto de o árbitro nomeado para o jogo já não ser Paulo Paraty, conforme havia sido anunciado por Pinto de Sousa, à data presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, a um advogado com ligações ao Benfica.»

Conversas:

Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.

Fique claro que em qualquer outro jogo, eu não contestaria a nomeação desse árbitro, mas efectivamente nomear este juiz para um Marrocos FC x SC Braga, jogo que é crucial para os da casa, porque caso percam podem ficar arredado da luta pelo título e até eventualmente ser ultrapassado pelo Sporting. Fica ao critério de cada um, mas que não acho isto normal, não acho.

Quanto ao nosso Porto, joga amanhã frente à Académica, em Coimbra. Um jogo que certamente venceremos, pese embora os visitantes precisem de pontuar para assegurar a manutenção.

À equipa estão de regresso Ibson, Meireles, Renteria e João Paulo, que estavam lesionados, dando o lugar Lucas Mareque, Castro e Pepe (lesionado). Portanto, após a severa onda de lesões que atingiu o FCP, tudo parece voltar à normalidade, quando faltam apenas 6 (?) jornadas para o final. Espero sinceramente que amanhã o Porto ganhe, e que já agora o Pinto da Costa, indo a Coimbra, que traga de lá o Dame N'Doye, um bom médio de 22 anos. Fica aqui a dica!

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Remodelação


Só seria para colocar online no sábado, mas como consegui terminar antes, decidi fazê-lo hoje.

Optei por mudar o visual, para um estilo mais simples, mais "leve" e mais atractivo (penso eu). A partir de agora só dois "posts" irão aparecer, o que me parece suficiente, já que os outros estarão disponíveis no lado direito.

Agora espero pela vossa opinião, se gostam ou não. O que deve ou não mudar.

Boa Páscoa para todo!

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Será Possível?


Estava eu entretido a ler as notícias mais recentes do desporto nacional e internacional quando ao visitar o site MaisFutebol me deparo com um texto inacreditável na coluna denominada "Sobe e Desce". O texto foi escrito por um jornalista chamado Luís Sobral:

«F.C. Porto: pior do que a derrota foram as desculpas
[ 2007/01/26 | 23:08 ] Luís Sobral

Até ver, a derrota do F.C. Porto em Leiria nada altera na história deste campeoato.

Porque Benfica e Sporting podem nem aproveitar (embora seja raro que os grandes percam todos na mesma jornada) e sobretudo porque a vantagem do campeão lhe permite um deslize.

A importância desta derrota só será compreensível daqui por duas, três jornadas. Se o F.C. Porto fizer o que lhe compete (ganhar a Estrela da Amadora e Naval em casa e ao Beira Mar em Aveiro), o efeito da escorregadela em Leiria será esquecido. Um outro mau resultado, se conjugado com períodos de fulgor de Sporting e Benfica e misturado com o Chelsea, poderá fazer mossa.

A expulsão de Quaresma, num lance com o velho conhecido Tixier que lhe fracturou o maxilar na primeira volta, também não chega para alterar o mais importante: o extremo portista é o melhor da Liga. Também aqui, a dimensão deste episódio negro só será inteiramente perceptível daqui por umas semanas. Mas não acredito que Quaresma se desequilibre.

P.S.: O campeão teve os 15 minutos mais fáceis da temporada. Mas desperdiçou-os. Depois faltou-lhe força interior para lidar com a desvantagem e a desigualdade numérica. Os suplentes que entraram nada acrescentaram à equipa. Mais lamentáveis do que a derrota foram as declarações no final. O líder do campeonato e campeão em título deveria ser o último a contribuir para a suspeição infelizmente generalizada. Querem o quê, que as pessoas deixem de acreditar em tudo, até no mérito dos pontos conseguidos até aqui? Momento muito mau, até porque as discussões sérias não têm lugar nas salas de imprensa, como se sabe.»

Quando li, principalmente o "Post Scriptum", não queria acreditar. Como será possível que um jornalista (que deveria ser imparcial) pode escrever isto? «O líder do campeonato e campeão em título deveria ser o último a contribuir para a suspeição infelizmente generalizada.». Isto é gravíssimo, e só espero que o FC Porto apresente um resposta à altura.

Se calhar se vos disser que, tal como o João Querido Manha, este senhor é comentador da TVI talvez não vos surpreenda tanto.

Já agora fica aqui o link para uma notícia do Jornal de Notícias, sobre o lance do Quaresma no último jogo.

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Opinião


«TROCAS

Sete pontos de vantagem no final da primeira volta de um campeonato com 16 equipas é o suficiente para ser campeão? Provavelmente é. E as probabilidades aumentam se a equipa que está na frente até tem o melhor ataque, a melhor defesa e as melhores soluções, se pratica o futebol mais consistente, se aguarda a recuperação de um dos melhores jogadores do Mundo e se tem o calendário mais favorável da segunda volta, entre outras coisas por receber o perseguidor mais próximo no seu terreno. Ainda assim, da última vez que o FC Porto assumiu qualquer coisa como garantida de véspera, deu-se mal. A derrota com o Atlético, que os portistas exorcizaram contra o Aves cavando a vantagem no topo da classificação, deve servir de aviso para o resto da temporada. O FC Porto é o principal candidato à sua própria sucessão como campeão, mas até resolver definitivamente a questão em termos matemáticos, antes de pensar em dividir esforços ou multiplicar objectivos, o melhor mesmo é continuar a somar vitórias.

Entretanto, o domínio exercido pelo FC Porto no campeonato, a aparente facilidade com que se afastou dos rivais do costume, acentua ainda mais o prejuízo pela eliminação prematura na Taça de Portugal. É que esta equipa, a que precisou de apenas nove minutos para ganhar ao Aves, parece demasiado grande para caber toda apenas no título de campeã nacional e a Taça, por muitas alegrias que o Atlético tenha dado a quem tem tido tão poucos motivos para celebrar, ficou claramente mais pobre sem o campeão nacional. Em contrapartida, com a agenda aligeirada, os portistas têm tempo de sobra para preparar a recepção ao Chelsea e o assalto aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. E quem não troca uma Taça de Portugal por uma Liga dos Campeões? Só quem não pode.»

Jorge Maia, in OJogo

«NORTADA

Ai Carolina, ó i ó ai!

1. Pergunta meramente retórica: o que se sucederá se vier a concluir-se que as acusações despejadas em cascata pela D. Carolina Salgado se comprovarem, afinal, serem: a) falsas, b) incapazes de servirem de prova; c) repetição de suspeitas já constantes do processo Apito Dourado e, entretanto, arquivadas por ausência de fundamento; d) um pouco de tudo isso?

O que sucederá, então? A opinião pública ficará convencida? Concluirá que ela afinal não fez mais do que mentir para garantir as luzes da ribalta e o sucesso dessa obra-prima da literatura, do bom-gosto e das boas-maneiras, que dá pelo nome de Eu, Carolina, ou para se vingar de situações amorosas do foro íntimo, que em nada nos deveriam interessar? Não, obviamente que não. A opinião pública, desde que Carolina Salgado veio à praça e o dr. Pinto Monteiro mandou avançar a Dr.ª Maria José Morgado, já só espera, já só se contentará, com uma e uma única coisa: a acusação, julgamento e condenação de Pinto da Costa e do FC Porto. Qual presunção de inocência, qual ónus da prova de quem acusa, qual princípio do contraditório, qual regra do nexo de causalidade entre os cafézinhos e os resultados no estádio! Se for preciso, crucifica-se também a Dr.ª Maria José Morgado e faz-se um levantamento nacional contra o Estado de Direito. A bem da nação, claro.

Se quiserem saber o que pensa a opinião pública, basta atentar no que diz o presidente do Benfica. Aliás, é sempre útil escutá-lo quando ele vai em romaria às casas do Benfica, ocasiões essas em que garantidamente o coração lhe sai pela boca. Disse ele, de visita a Gândaras: «Começamos a ver as caras do polvo. Todo o país irá saber a verdade sobre a viciação da classificação dos árbitros e dos resultados desportivos. O Benfica já sofreu muito por isso.» Estaria ele a referir-se ao seu ex-aliado e sócio na Liga de Clubes, Valentim Loureiro? Podem crer que não… Da mesma forma que, com a referência aos padecimentos do Benfica, não estava seguramente a pensar no campeonato ganho pelo Sr. Trapattoni…

2. A pergunta que faço tem a sua razão de ser fortalecida à luz das informações que vêm sendo publicadas no semanário Sol pela conhecida jornalista Felícia Cabrita. Se ela está bem informada e se o que diz é verdade, prevejo um horizonte nada dourado para o apito. Escreve Felícia Cabrita: «Quanto aos documentos que Carolina dizia ter e que sustentariam as suas acusações, o seu depoiamento foi vago e inconsistente, o que levou a DCICCEF (Direcção Central de Investigação da Criminalidade e Corrupção Económica e Financeira, da PJ) a fazer uma busca a sua casa. «Nada foi encontrado. Apenas documentos antigos, nomeadamente extractos de contas bancárias» — conta a mesma fonte, acrescentando que em pouco tempo as revelações «revelaram-se um flop». Mais interessante ainda teria sido ouvir o presidente do Benfica comentar a seguinte passagem do artigo de Felícia Cabrita no Sol (e recordo que ela foi a primeira jornalista a registar as acusações de Carolina Salgado, antes mesmo da saída do livro): «Segundo o Sol apurou, o primeiro encontro entre os agentes da DCICCEF e Carolina Salgado ocorreu num hotel da Praça de Espanha, em Lisboa, e teve como intermediário o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Com Carolina, estava a redactora do livro, Maria Fernanda Freitas, e a jornalista Leonor Pinhão. Duas semanas antes, o presidente do Benfica entregara na DCICCEF um dossier com documentação que, segundo afirmou, iria provocar um abanão no mundo do futebol, contendo provas de corrupção. Mas, segundo a mesma fonte judicial, Luís Filipe Vieira comprou gato por lebre: «os documentos não passavam de fotocópias de peças processuais do processo Apito Dourado que já foram arquivadas».

Curioso tudo isto… Muito, muito curioso. Os agentes da PJ encontram-se com uma pessoa que, aparentemente, lhes quer fazer uma denúncia, num hotel? E o presidente do Benfica serve de intermediário entre as partes? Se isto é verdade, a que título se terão encontrado todos, visto que a título processual não foi, nem podia ser? Seria um encontro de velhos amigos, de benfiquistas, de fundadores do clube A Verdadeira Investigação que Interessa ao Apito Dourado?

Em verdade vos digo, parafraseando o Hamlet: «Há mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa vã sabedoria supõe.» Eu, por mim, enquanto vou assistindo, deliciado, ao progresso das investigações, mantenho o que disse: no lugar de Pinto da Costa, tinha-me demitido quando saiu o livro de Carolina Salgado. Não porque acredite numa palavra do que ela ditou ou porque me sejam indiferentes coisas como a presunção de inocência e a verdade da prova feita em juízo. Mas porque ele lhe atribuiu um papel e uma importância no clube que lhe permitiu ficar em posição de arrastar pela lama, não apenas o nome dele, mas o do próprio clube. Por razões internas, e não externas, portanto.

3. Quanto ao resto, quanto à substância das coisas, vou vendo futebol. E o que vejo (mesmo com o inqualificável acidente de percurso do Atlético, à parte), chega-me para perceber as diferenças e quão desesperada é, consequentemente, a esperança sem fim posta aos ombros da Dr.ª Maria José Morgado. Ah, houvesse alguém que conseguisse estabelecer, por sentença judicial ou por decreto-lei, que o FC Porto joga pior e não pode, não deve absolutamente ser campeão! Se houvesse alguém que, nem que fosse por golpe de Estado, pusesse termo a esta monotonia de, ao fim da primeira volta do campeonato, o FC Porto já ter sete pontos de avanço!

4. Vale e Azevedo prepara-se para voltar à cadeia, para cumprir longas penas. Na altura em que alguns, poucos, ousavam questionar os seus métodos e a moralidade que se auto-atribuía para, também ele, regenerar o futebol português, a multidão da opinião pública caía-nos em cima, defendendo o seu herói, o seu D. Quixote, em cruzada santa contra Pinto da Costa e os bandidos do Norte. Mas, agora, onde estão os seguidores de ontem de Vale e Azevedo? Quem chora por ele uma lágrima, quem se detém a pensar «fomos nós que lhe demos força para todas as malfeitorias que fez, fomos nós que fechámos os olhos e os ouvidos e que fingimos não dar por nada, mesmo quando os próprios opositores internos eram silenciados à força»? Onde está ele agora, o exército dedicado que Vale e Azevedo tinha ontem? Eu digo-vos: está com a D. Carolina Salgado, em nova cruzada. Felizmente, não são e não foram todos: há benfiquistas cuja coragem de então nunca me esquecerei de admirar.»

Miguel Sousa Tavares, in ABola

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Opinião


ABola.pt

«Nortada
A escolha de Pepe
Por MIGUEL sOUSA TAVARES
1Num mundo perfeito, não haveria selecções nacionais que não fossem compostas integralmente por nacionais nascidos no país ou filhos de pais nascidos no país, e que soubessem perfeitamente cantar o hino, falar a língua e debitar um mínimo de generalidades sobre a história, a geografia e a cultura do país cuja nacionalidade invocassem. Mas, num mundo perfeito, também não haveria tantos emigrantes por necessidade, tanta gente deslocada das suas raízes e da sua terra, apenas para conseguir sobreviver.

Mas também num mundo justo a pátria é onde nos sentimos em casa, onde nos apetece trabalhar, viver, ter filhos, criar outras raízes. Em Portugal e apenas no futebol existem cerca de mil brasileiros a trabalhar. Ao fim de seis anos, segundo a Lei da Nacionalidade, eles auferem o direito de requerer a nacionalidade portuguesa, passando a beneficiar de dupla nacionalidade: a portuguesa, que adquiriram, e a brasileira, que não perderam. Um desses mil jogadores é Pepe, central do FC Porto que, como aqui escrevi na semana passada, é, em minha opinião, o melhor central do mundo actualmente. Porque o Brasil tem muitos e bons jogadores ou porque também na selecção brasileira vigora a lei Scolari de só chamar os que já se conhecem, Pepe nunca mereceu a honra e a justiça de uma chamada ao escrete. Sai a perder o Brasil, pode sair a ganhar Portugal — se a Federação for sensível à firme e reiterada vontade de Pepe em jogar pela Selecção Nacional. A fazer fé em Scolari, a vontade de Pepe é mesmo essa: ou joga pela Selecção portuguesa ou não joga por nenhuma.

Confrontado com o desafio de Pepe, o presidente da federação, Gilberto Madail, esclareceu a sua posição, não esclarecendo nada: por um lado, «é preciso aproveitar as oportunidades de um mercado restrito»; por outro lado, «é preciso manter a identidade da Selecção». Diga-se, em abono do desamparado Madail, que a questão não é fácil de resolver.

Primeiro, há que distinguir dois planos: o da Lei da Nacionalidade e o dos critérios próprios das selecções nacionais. A diferença está em que o primeiro estabelece quem é que é português e o segundo quem é que pode representar Portugal. Juridicamente, quem pode uma coisa pode a outra mas, em termos de imagem, há toda uma diferença: suponhamos que Paul Auster naturalizava-se português — será que o poderíamos considerar representante da literatura portuguesa?

No plano da Lei da Nacionalidade — a nossa — não discuto os critérios da sua aquisição, o que discuto é o estatuto que ela confere. Se alguém decide naturalizar-se português, ou chinês, ou bielorrusso, não acho lógico nem justo que possa simultaneamente manter a nacionalidade de origem: ou se é português ou brasileiro; as duas coisas ao mesmo tempo parece-me um privilégio excessivo e sem justificação.

Mas a verdade é que é com esta Lei da Nacionalidade e outras idênticas, que as nossas Federação Nacionais e de outros países têm de se haver. E aí é que começam as dúvidas e os dilemas: todos nós, obviamente, gostaríamos de nos ver representados por selecções desportivas que não desvirtuassem a sua identidade de representações nacionais. Mais: entre a opção de ganhar menos vezes só com atletas nacionais, ou ganhar mais recorrendo também a atletas naturalizados, eu, pessoalmente, preferiria a primeira. Mas a verdade é que o país inteiro vibrou, por exemplo, com as proezas olímpicas de Francis Obikwelu, que pouco tem de português, para além do facto de nem sequer residir em Portugal. O que vale para o atletismo não vale para o futebol?

Por outro lado, existe este argumento decisivo: se vivemos num mundo progressivamente globalizado, se instituímos, e bem, uma Europa sem fronteiras, que é uma das principais aquisições da nacionalidade e estatuto europeu, e se todos os outros fazem o mesmo, que razão ponderosa nos levaria a constituir excepção? Todos sabemos que a França, que foi campeã do Mundo, não teria mais de três ou quatro jogadores genuinamente franceses; todos vimos a selecção da Suécia (a terra dos vikings altos e loiros) com metade dos jogadores de raça negra, e o mesmo sucede com a selecção inglesa; se a selecção espanhola que esteve na Alemanha jogava com um brasileiro naturalizado a meio-campo e diversas selecções de países do Leste europeu fazem o mesmo, quem somos nós para adoptarmos critérios mais restritivos? Acaso um brasileiro não tem muito mais a ver connosco que com Espanha, Rússia ou Bósnia-Herzegovina?

A questão, todavia, só se nos pôs, nos tempos recentes, com o Deco. E a verdade é que Deco tem demonstrado uma dedicação à Selecção portuguesa muito para além do que seria legítimo esperar. Ao contrário de outros, portugueses de gema, que entram e saem da Selecção ao sabor das suas conveniências pessoais, Deco, mesmo depois de se ter mudado para Espanha, tem estado sempre disponível quando é chamado. Então, pergunta-se: se Deco foi aceite, porque não deverá ser Pepe?

Mas é justamente aqui que as dúvidas se adensam: depois de Deco e Pepe, quem se seguirá? A tentação de abrasileirar a Selecção é terrível e isso implica que, para além de todas as dúvidas e dilemas, se estabeleça um critério e se termine com o casuísmo em que temos vivido. Tem de haver regras que sejam claras, públicas e imutáveis — que se apliquem sempre e em todos os casos e que não variem conforme as situações e as necessidades. Não sei quais devam ser essas regras — penso que devem sair de um debate profundo e de um trabalho de reflexão sério, eventualmente promovido a nível do Governo e para valer para todas as modalidades. Mas há um critério que rejeito logo à partida por me parecer de flagrante oportunismo: o das conveniências das selecções. Ou seja, não se pode aceitar Obikwelu porque era a nossa grande esperança de uma medalha olímpica, nem recusar Pepe porque de momento não temos necessidade premente de centrais.

2O Conselho de Disciplina da Liga viu-se obrigado a vir explicar por que razão, ao contrário do que tem sido sempre a regra, aplicou apenas um jogo de suspensão a Nuno Gomes, expulso com um vermelho directo em Alvalade, depois daquela entrada, quase agressão pura, a Tonel. E a explicação foi extraordinária: porque Nuno Gomes — embora já tivesse visto neste campeonato um vermelho directo no Bessa — não era reincidente, visto que o primeiro fora por palavras ao árbitro e o segundo por entrada sobre um adversário. A inovação (veremos se também vale para outros casos...) é de pasmar: a partir de agora, um vermelho directo vale o mesmo que dois amarelos e só dá origem a dois jogos de suspensão se os motivos forem os mesmos. Assim, um jogador pode ser expulso quatro vezes — uma porque insultou o árbitro, outra porque agrediu um adversário, outra porque fez gestos obscenos para o público, outra porque cortou a bola com a mão na linha de golo — e de todas as vezes levará apenas um jogo de suspensão.

É por estas e outras que eu, ao arrepio daquilo que é a esmagadora maioria das opiniões expressas, sou a favor da proibição dos magistrados no futebol. Porque não dignificam o futebol e muito menos as magistraturas.»

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Opinião


ABola.pt

«FC Porto 2006/2007
Por MIGUEL sOUSA TAVARES
OFC Porto, de Jesualdo Ferreira, esmaga a concorrência: é a única equipa portuguesa que se mantém ao mais alto nível na Europa, depois de uma recuperação brilhante na fase de grupos da Champions; é o líder do Campeonato, com uma vantagem já simpática sobre os seus dois rivais directos; tem o maior número de golos marcados e o menor número de golos sofridos; lidera o troféu do melhor marcador, do melhor jogador do Campeonato e do jogador mais valioso; lidera o Troféu BES e o Troféu Disciplina; é a equipa com maior média de assistências por jogo e talvez a única de que não é possível dizer que deve um único ponto às arbitragens. Melhor, honestamente, era impossível. Parabéns a Jesualdo Ferreira e a todos os que contribuem para o sopro do dragão. De A a Z, eis o dicionário destes quatro meses de triunfo.

ADRIAANSE — A primeira e mais decisiva entrada deste dicionário. A sua saída, antes de disputado qualquer jogo oficial, foi a melhor notícia e a mais importante aquisição nesta temporada. Não era por acaso que todos os anti-portistas elogiavam tanto Adriaanse: a sua irracionalidade, teimosia e arrogância acabariam por desfazer uma grande equipa. Deve estar a roer-se de inveja por constatar que, com a mesmíssima equipa e um sistema de jogo natural, Jesualdo Ferreira pôs o FC Porto a vencer e a marcar golos, uniu a equipa e o balneário, recuperou jogadores banidos e fez as pazes com o público.

ADRIANO — Parece que está de saída para o Sporting Braga, confirmando que nunca seria mais do que um razoável suplente.

ALAN — Inconstante e inseguro, capaz de coisas boas e de trapalhadas sem sentido. Pode fazer melhor.

ANDERSON — Um dos três génios da equipa, o vértice central do triângulo verdadeiramente luxuoso: Pepe, Anderson, Quaresma. É um médio de ataque que só sabe jogar para a frente e em movimento constante. Com ele, não há paragens nem quebras de ritmo — é um carrossel alucinante que põe a cabeça em água aos adversários. Há muito que não via um jogador assim e penso que todos aqueles que, acima de tudo, gostam de ver grande futebol, só podem lamentar aquela entrada de Katsouranis que o retirou da nossa vista durante quatro ou cinco meses. Se voltar igual ao que era, vale seguramente uns 40 milhões de euros — sobretudo, se voltar antes dos decisivos jogos com o Chelsea.

ATITUDE — É o grande plus deste clube e das equipas que o vão representando, ano após ano. Os jogadores do FC Porto são melhores profissionais e têm mais respeito pelo clube e pelos adeptos que quaisquer outros. Vítor Baía é, neste momento, o exemplo: onde estão os vítor baías do Sporting ou do Benfica?

BOSINGWA — Também irregular e inconstante, mas a melhorar claramente. Fez-lhe bem ter finalmente concorrência — a de Fucile. Deveria tentar mais as derivações pelo meio porque é bom em drible e em progressão.

BRUNO ALVES — Em relação a ele e a Postiga, dou a mão à palmatória: nunca pensei que Jesualdo conseguisse transformá-los em bons jogadores. Talvez pelo contágio de Pepe ou pela segurança que as oportunidades de jogar lhe deram, Bruno Alves não tem nada a ver com o jogador da época transacta, que não sabia quando atacar a bola e que a despachava de qualquer maneira. Está a crescer, jogo após jogo.

BRUNO MORAIS — Um só jogo que lhe vi, ainda na pré-temporada, foi o suficiente para entender por que razão Mourinho o contratou. Apesar do azar e das lesões, apesar do renascimento de Postiga, Bruno Morais já deu indicações suficientes de que está ali um grande jogador, pronto a explodir. Que a sorte finalmente o acompanhe!

CAROLINA SALGADO — Não joga pelo FC Porto, mas joga e muito, pelos adversários. Quis, com a sua traição e o seu abjecto panfleto, manchar o trabalho de todos estes jogadores e técnicos, que se batiam no campo enquanto ela se exibia no camarote. Mas acredito que, no fim, a verdade virá ao de cima, embora a desonra e os danos já ninguém os apague.

CECH — Um bom jogador, não um extraordinário jogador. Ataca bem, defende pior. Mas tem terreno e idade para progredir.

CSKA MOSCOVO — A vitória decisiva, a demonstração que faltava de que este FC Porto é herdeiro dos grandes FC Porto que honraram este país e o nosso futebol. Por muito que isso custe a engolir a muitos.

DIEGO — Há um que saiu e bem, em minha opinião, e outro que vai entrar. O que saiu era o oposto de Anderson: travava o jogo, perdia-se em rodriguinhos inúteis e não sabia onde ficava a baliza do adversário.

DIOGO VALENTE — Parece que vai ser emprestado, mas gostaria de o ter visto mais vezes em jogo. Não deixa de ser impressionante pensar que, das sete aquisições feitas pelo FC Porto esta época — Paulo Ribeiro, Ezequias, João Paulo, Tarik Sektoui, Diogo Valente, Vieirinha (este promovido) e Fucile — só o último é regularmente utilizado.

DÍVIDAS DA SAD — Trinta milhões de euros declarados no último exercício: um descalabro que, fatalmente, terá de ser remediado, mais tarde ou mais cedo, com a venda dos anéis. Esta febre de comprar jogadores que não servem para nada a não ser para serem emprestados explica muita coisa. Só falta explicar para que os compram.

ESTÁDIO DO DRAGÃO — O mais bonito estádio de futebol que alguma vez vi. Uma das melhores obras de sempre da arquitectura portuguesa. E é sempre a primeira vez em cada regresso a casa.

EZEQUIAS — Quem o comprou que explique.

FUCILE — Ah, uma na mouche! Grande miúdo, grande personalidade, grande coragem! Vai deixar marca.

GOLOS — Afinal, não era o sistema maluco de Adriaanse que os conseguia. Este ano, de volta ao 4x3x3, o FC Porto só ficou em branco em jogos da Champions.

HÉLDER POSTIGA — A impossível ressurreição. Quem o viu nas três temporadas anteriores, custa-lhe a crer que seja o mesmo. Não é só ter começado a marcar golos, é tudo o resto: remata, corre, desmarca-se, tem alegria em jogar. Antes, não se mexia, não se dava a incómodos. Será para durar?

HELTON — A elegância na baliza e a rapidez de reflexos. Mas falta-lhe ainda uma coisa para me tranquilizar: aprender a sair às bolas altas como o Baía faz.

IBSON — Vale mais do que mostra. Valerá bem mais quando puser os olhos em Anderson e perceber que nenhuma jogada, por mais espectacular que seja, tem interesse se, no fim, a bola acaba nos pés dos adversários. Levante a cabeça e olhe para o jogo!

JESUALDO FERREIRA — Até que enfim, um treinador normal! Até que enfim, alguém para quem a inteligência supera a vaidade! Merece todo o crédito pela revolução tranquila que está a levar a cabo no FC Porto.

JORGE COSTA — Teve uma despedida despercebida e injusta mas há-de voltar, porque faz parte da vida deste clube.

JORGINHO — Um mistério eternamente por esclarecer: como é que era tão bom em Setúbal e é tão abúlico no Porto? Mas já teve oportunidades suficientes — só se pode queixar de si próprio.

JOÃO PAULO — Quem o comprou deveria ter alguma ideia: importa-se de dizer qual era?

KATSOURANIS — Joga pelos outros, mas sozinho causou-nos maiores danos do que todos os adversários e inimigos juntos. Quando for o jogo da Luz, é de esperar que Jesualdo deixe Quaresma no banco!

LISANDRO — Umas vezes bem, outras nem tanto. Ainda faz sentir saudades de Derlei.

LUCHO — Dois jogos de classe e dois golos portentosos — contra o Hamburgo e o Nacional. No resto, muito, muito aquém do que pode e sabe. Deve bem mais à equipa.

PAULO ASSUNÇÃO — Muito longe do nível da época passada e o meio-campo ressente-se disso.

PEDRO EMANUEL — Lesionado logo no início da época, vai ter um regresso difícil.

PEPE — Podem levar à conta de facciosismo clubístico mas é isto que eu penso e já vem de trás: é o melhor central do Mundo, na actualidade.

PAULO RIBEIRO - ?

PINTO DA COSTA — Enfrenta o seu ano de todos os perigos. Carolina e o défice são dois combates que não consentem subterfúgios.

RAUL MEIRELES — Claramente, o elemento mais fraco da equipa. Vagueia pelo campo, sem grande utilidade visível. Alguém estabeleceu que era um grande rematador de meia-distância: há seis meses que não acerta um remate na baliza.

REINALDO TELES — O homem que está lá sempre. For all seasons.

RICARDO COSTA — Sem lugar na equipa. De saída, normal, para Marselha.

RICARDO QUARESMA — Pegou no facho depois de Anderson cair em combate e levou a equipa atrás, mostrando que é o melhor futebolista português da actualidade e um dos melhores do Mundo nas suas várias posições. É um jogador absolutamente excepcional, como já o era no ano passado e há dois anos, e agora se percebe melhor o crime que foi deixá-lo de fora do Mundial-2006. Em lugar de explicações sem sentido, Scolari deveria pedir desculpa — a ele, aos portugueses e a todos os que gostam de futebol e não o puderam ver na Alemanha.

RUI BARROS — Missão cumprida. Mais uma. E a Supertaça no bolso.

SOKOTA — O mais azarado e o mais caro do clube.

TARIK SEKTOUI — Talvez um razoável suplente.

VIEIRINHA — A grande revelação da pré-época, a que Jesualdo não deu continuidade. E é pena, porque parece estar ali um grande jogador em potência.

VÍTOR BAÍA — Capitão do balneário, treinador adjunto oficioso, guarda-redes suplente, o que quiserem: Baía é a Torre dos Clérigos desta equipa, um jogador e um desportista como não há outro e já tenho saudade de o ver jogar.»

Miguel Sousa Tavares, ABola

OJogo.pt

«Ida e Volta
JORGE MAIA


Normalmente, o único motivo para se falar de ciclismo neste espaço seria um golo marcado por Quaresma na sequência de um pontapé-de-bicicleta. Hoje, contudo, vou abrir uma curta excepção para falar de ciclismo a sério, daquele que se faz em cima de bicicletas, a dar aos pedais montes acima e montes abaixo para ganhar metas volantes, camisolas às cores e o direito a posar ao lado de um par de moças giras com o boné do patrocinador. Talvez seja só eu, que sou picuinhas e fiquei irritado com mais um par de peúgas pelo Natal, mas faz-me alguma impressão que João Lagos, responsável pela organização da Volta a Portugal, seja também o principal responsável por uma das equipas que vai competir na prova e que, nem de propósito, também está ligada ao Benfica. Quer dizer, isto de o Benfica ter uma ligação directa aos organizadores de provas nas quais participa nem sequer é novidade, mas pensei que tinha acabado com a saída de Cunha Leal da Liga de Clubes e a morte por asfixia da antiga Comissão Disciplinar que quase, quase, levava o futebol português com ela. Felizmente, alguém se lembrou da manobra de Heimlich a tempo de os fazer saltar fora e deixar a Liga respirar de alívio. Mas, voltando às voltas do ciclismo, a ligação entre o Benfica e João Lagos, organizador da principal prova da modalidade em Portugal, parece-me um risco para a modalidade. Afinal, se Luís Filipe Vieira conseguiu ser o principal crítico da Liga que ele próprio desenhou e ajudou a eleger, imagine-se o que não dirá do ciclismo se as coisas não lhe correrem sobre rodas. Mas, como eu dizia no início, talvez seja só eu, que sou picuinhas e fiquei irritado com mais um par de peúgas pelo Natal. Brancas, valha-me o Cristo Redentor.»

Jorge Maia, OJogo.

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